Essa paixão de José Resende começa com a admiração pela mãe, uma mãe cabeleireira que ofereceu ao seu filho o seu melhor terreno para «brincar»: o seu salão. Assim, feito pequeno Mozart, muito novo, José Resende brincava, criava e sonhava com os cabelos caídos no chão e com uma tesoura na mão. Apesar dos medos, do receio de se tornar cativo de uma Arte, pois como qualquer Arte exige dedicação, treino, esforço, criatividade mas sobretudo muito amor e entrega total, diariamente, decidiu aperfeiçoar o que inicialmente era algo de divertido e natural. Deste modo, seguiu uma formação profissional e veio a primeira grande oportunidade: aos 19 anos (já), José Resende recebe uma proposta de trabalho para a Saint-Karl, em Guimarães. O primeiro e necessário corte com a mãe, dois artistas debaixo do mesmo teto, um deles com desejos de altos voos, não podiam coexistir, pelo menos naquele momento… Rapidamente, torna-se um verdadeiro profissional com todo o percurso formal a que isto obriga.  Jovem e promissor, fez as suas provas em vários shows, festas da Associação de Cabeleireiros

eaté que venceu a primeira eliminatória, em Braga, do Campeonato Nacional de Cabeleireiros. E, contra todas as expectativas, pois tinha como obstáculo toda a experiência e fama dos seus colegas da capital, venceu em Lisboa na prova masculina e partiu para Las Vegas, para o Campeonato do Mundo, em representação de Portugal. Essa vitória em Lisboa trouxe-lhe o que já merecia há algum tempo: o reconhecimento Nacional mas sobretudo o reconhecimento numa terra que ele ama particularmente, Riba de Ave, em Vila Nova de Famalicão, com todo o orgulho que esta proeza representava para a sua mãe… A partir, o seu caminho tem vindo a construir-se discretamente mas também sob as luzes da ribalta, com muitas vitórias e algumas perdas, uma, muito dolorosa, o seu mentor, a sua fã número um, a sua mãe que tanto o apoiou e inconscientemente o orientou. Se aqui estivesse, seria a mais orgulhosa das mães e ficaria admirativa perante este percurso.

De facto, agora, é entre Paris, Milão ou Londres, que José Resende procura inspiração, técnicas e visões para os seus clientes. Com carinho, com a sua História e

percurso de vida, é o melhor que ele quer oferecer. Eterno insatisfeito, luta constantemente e é nos seus salões que ele se sente bem, como em casa, no seu território, em Riba de Ave e em Santo Tirso. Não é de admirar que de aluno, a profissional passou agora a formador. Assim, cuidadosamente, vai escolhendo quem trabalha com ele, oferecendo-lhes todo o seu savoir faire. É com orgulho que gere e trabalha com uma equipa na qual pode ter toda a sua confiança estando ou não presente nos seus salões. Por todos estes motivos, quando se vai ao salão José Resende, não vamos cortar o cabelo ou fazer madeixas, etc, vamos tratar de nós, encontrar pessoas que nos vão aconselhar, que nos vão conhecer para melhor encontrar o que nos fica bem, o que nos faz bem e o que nos irá tornar mais confiante porque mais belos. Numa entrevista que deu, José Resende dizia que «cortar o cabelo é como pintar um quadro», que «o cabeleireiro é como amigo que nos aconselha e que tenta realçar em nós o mais belo»… Com ele e a sua equipa, é real, é só experimentar, uma vez, para ficar, para sempre…

Helena Machado

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